Nesse momento
Em que parece
Que o mundo parou
Acendo um cigarro
E um arrepio me sobe
Pelas pernas
Atravessa a virilha
Esfria a barriga
Sobe pela espinha
E me faz sentir bem.
Mariana Pimenta
28/07/2001
Nesse momento
Em que parece
Que o mundo parou
Acendo um cigarro
E um arrepio me sobe
Pelas pernas
Atravessa a virilha
Esfria a barriga
Sobe pela espinha
E me faz sentir bem.
Mariana Pimenta
28/07/2001
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Não me peça, oh professor
para analisar um poema
Esquece que poesia é arte
e arte é sentimento
e sentimento não se explica.
Um poema que se preze
só se lê com o coração
nunca com a razão.
O poema é como uma ebulição
da felicidade ou do sofrimento
É o melhor e mais árduo caminho
de se passar as emoções
Lembre-se que Drummond e Vinícius
não escreveram para os críticos
e sim para os apaixonados
Então, não me venha com
esses termos técnicos e feios,
estragar algo tão primoroso.
Oh, por favor, não permita
que suas aulas façam
com que eu desista
de um dia deixar de ser amadora
para me tornar escritora.
Mariana Pimenta No Ensino Médio (entre 1999 e 2001)

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Este texto é uma resposta de e-mail que enviei para a minha amiga Virgínia, depois que ela me enviou o texto publicado no post anterior, Direito de Gritar.
Vi, querida!
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Fé é algo inabalável, inquestionável. Quando governantes se tornam deuses, acima do bem e do mal, a democracia é posta em risco. Vigiar, questionar um governo é dever dos cidadãos. Não fazê-lo é negligência. A estratégia de rotular qualquer crítica como burguesa, elitista e reacionária cria uma redoma de proteção ao redor do PT. O mundo não é dividido entre ricões mauzões e pobrezinhos bonzinhos, entre direitistas reacionários e esquerdistas libertários. É muito fácil pregar a liberdade e assumir uma postura autoritária, não permitindo questionamentos, posições contrárias. Do mesmo modo, é muito fácil propagar um discurso comunista e adotar políticas social-democratas. É muito fácil criticar todas as medidas de um governo e conservar a maioria delas.
Quando eu digo que vou votar no Serra, sou, frequentemente, agredida por militantes raivosos. Os mais virulentos me chamam de burguesa, os mais sutis dizem: “Você é uma pessoa esclarecida, como pode?” Ou: “Eu gosto de você assim mesmo!” Eu tenho o direito de assumir a posição política que julgar melhor. Porque sou esclarecida, porque pensei, ponderei, questionei, analisei. Mas, mesmo se assim não fosse. O direito ao voto, à livre escolha, é inalienável. Não sugiro a ninguém que vote no mesmo candidato que eu, sugiro apenas, àqueles que desrespeitam a minha escolha, que não o façam. Sugiro também, que, ao longo do governo, não ajam como militantes apaixonados, cegos aos problemas. Todo governo tem falhas e todos devemos observá-lo e criticá-lo quando necessário, sobretudo, aqueles que o elegeram. Não existiu e nem vai existir presidente Messias, capaz de redimir o Brasil de meio milênio de erros. As melhorias são processuais. Ao que tudo indica o meu candidato não será eleito, mas se ele for, não me eximirei do meu dever de vigiá-lo porque votei nele. Política não deve ser misturada com emoção. Presidentes não devem ser tratados como ídolos ou deuses, mas como servidores do povo.
A quem possa interessar
Como eu disse, minha escolha não foi movida por simpatias ou antipatias. Antes de fazer a minha escolha, comparei discursos e ações. Fiz várias perguntas: Será que uma estatal falida, cabide de empregos, vale mais do que uma empresa privada que jorra lucros, que emprega milhares? Será que o governo atual teria gerado tantos empregos sem as privatizações? (De fato, o governo gerou mais empregos públicos do que deveria, mas esses são onerosos ao Estado e não, lucrativos.) Seria possível o crescimento da economia sem o plano Real, contra o qual o PT se posicionou? Os números de melhoria na educação são mesmo confiáveis e os meus olhos estão me enganando? Afinal, o que tenho visto nas escolas é bem diferente do que pregam as propagandas. Abrir mais vagas nas universidades resolve a questão da educação ou a educação de base deve ser o alvo principal dos investimentos? O apagão da Dilma é menos atacável que o anterior? Casos e casos de corrupção podem ser ignorados, em nome de um “governo para os pobres”? Consumo sem consciência crítica é o suficiente? Sarney e Collor? Já não é incoerência demais? Bom, essas são apenas algumas das perguntas que me fiz antes de fazer a minha escolha. Espero que todos façam muitas perguntas antes de votarem.
Bom, de todo modo, não vou passar o resto da minha vida justificando uma escolha que é só minha. O fato é que eu tenho o direito de votar em quem quiser e o dever de não permitir que me intimidem, menosprezando o meu voto.
Resposta a uma das minhas perguntas
“Em 1997 a Vale estatal pagou à União US$ 110 milhões em impostos e dividendos. Depois de nove anos de privatização, em 2006, essa quantia saltou 23 vezes para US$ 2,6 bilhões. Nesse mesmo período, o número de empregados cresceu cinco vezes, de 11 mil para 56 mil. As exportações triplicaram, de US$ 3 bilhões para US$ 9 bilhões. A produção expandiu de 100 milhões de toneladas para 250 milhões.” (Arquivos da Vale)
Virgínia Costa
P.S. Vírginia é jornalista e mestre em literatura e uma grande amiga, por quem tenho imenso amor e respeito. Recebi este texto por e-mail e achei importante replicar aqui. No próximo post, leia a minha resposta a ela.
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